sexta-feira, 25 de abril de 2008

Caso Isabella vira Reality Show


Mídia Transforma criança vítima de uma tragédia em "artista"




É impressionante como a média deixa visível ao público a importância de crimes que envolvem a classe média. O caso Isabel la, teve uma repercussão tão grande, que o telespectador não sabia mais o canal que estava assistindo e muito menos a programação. Será que o controle remoto está quebrado? Não! É que o assunto deu audiência e todos os jornalistas querem ter algo novo para falar. O problema é que isso não esta ocorrendo. É uma noticia e o mesmo assunto para todos os canais e programas de TV. O tamanho da importância que se tem uma tragédia como essa é sem duvida inquestionável. Mas enquanto a midia esta focada nesta investigação, quantas "Isabel las" não estão sofrendo pelo Brasil á fora? E principalmente nas periferias, crianças assassinadas, estupradas, vítimas de crimes bárbaros e não têm evidência na midia.

"Apenas para destacar esse tratamento diferenciado, no mesmo dia da morte da menina, 150 soldados da tropa de elite da Polícia Militar do Rio de Janeiro invadiram uma favela e assassinaram 10 pessoas. Não foi a primeira vez, nos últimos meses, que a PM do Rio cometeu tamanha barbárie contra uma comunidade pobre. No entanto, a grande imprensa nacional deu apenas um pequeno registro desse crime violento praticado pelos agentes do Estado". Ressalta o jornalista e professor da PUC-SP, Amilton Octávio de Sousa.

Do ponto de vista do espectáculo e da comercialização dos fatos, o caso da menina Isabel la "permite" muito mais exploração inconsequente do que as 10 mortes do Rio de Janeiro. No caso da Isabel la, a midia dissecou todos os detalhes possíveis, entrevistou dezenas de pessoas, desde parentes até colegas e professores. No caso do crime do Rio, o assunto morreu no mesmo dia e o povo brasileiro nada ficou sabendo sobre as vítimas, quem eram, quais as suas histórias, o que faziam, quem são os seus parentes e porque foram assassinadas.
Em momentos como esse é que se verifica que o jornalismo brasileiro sofre de grave distorção nos seus critérios de seleção dos assuntos, na escolha do destaque dado aos fatos e na linha dos enfoques.

Mais importante do que transformar atos anti-sociais (crimes) em shows de emoção, é analisar a realidade – política, económica e social - que gera a violência e leva o ser humano ao ato anti-social. O papel mais nobre da imprensa é o de fornecer para a sociedade o material jornalístico que contribua efetivamente para elevar o nível de informação, de consciência e de compreensão da nossa realidade e não a preocupação apenas em comercialização, o que mais tem ocorrido ultimamente.

Um comentário:

Kauana Mahara disse...

Na verdade já perdemos a conta de quantas vezes jogaram esta menina pela janela.
“O Brasil em torno de Isabela” O Caralho.
Há muitos crimes contra crianças neste Brasil, milhares.
Agora só porque a menina é uma criança branca de classe média, todo mundo resolveu ficar revoltado. Claro que é uma calamidade, mas pêra lá.
Esse mundo está perdido ou alienado demais.
!Adorei o texto!

adendo: professor desculpe pelo palavrão.