segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Algumas problemáticas da Lei de Azeredo

A Lei não prevê apenas infrações cometidas no mundo virtual, mas também a pirataria e redes menores como intranets de empresas


A lei de controle de crimes cibernéticos relatada pelo senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) para muitos pode parecer uma ameaça à liberdade de expressão no mundo virtual. Com relação a isso pode-se começar pela definição de “liberdade de expressão na internet”?


Antes de entrar nessa discussão, vale citar que a lei está atualmente aguardando aprovação na Câmara dos Deputados e ao que parece deve entrar em vigor até dezembro. Azeredo pode tratar e propor uma lei nesse sentido por ter significativa experiência na área da informática: trabalhou 11 anos na IBM e comandou estatais de processamento de dados. Apesar de que para o perito judicial em computação forense, Jorge Figueiredo, o texto da lei “tenha sido de todo infeliz”, mas que ao ser revisto na Camâra poderá ser mais útil ao “tipificar crimes como o estelionato eletrônico, a invasão ou acesso indevido a rede de computadores”. Com esses delitos, o projeto cria ao todo 13 categorias criminais e endurece a pena para infrações já existentes. Para Azeredo quem deve ter receio da lei “é apenas quem usa o computador para o mal”.


A maior polêmica gira em torno do artigo 285-B que diz a respeito da ação de “obter ou transferir, sem autorização ou em desconformidade com autorização do legítimo titular da rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, protegidos por expressa restrição de acesso, dado ou informação neles disponível.” A pena para esse crime é multa e possível reclusão de um a três anos. Um dos grandes problemas da lei é ampla interpretação que se pode dar aos diversos artigos, não há delimitações claras. A simples baixa de uma música pode ser configurada crime segundo o artigo descrito acima.


Sites, comunidades, blogs que estimulam e façam, por exemplo, alusão a práticas de racismo ou pedofilia já estão fadados a sofrer penalidades porque esses atos são crimes previstos na Constituição Federal. Um blogueiro que divulgue suas opiniões, evidentemente de forma a não ferir a honra e moral de ninguém, e não fique no anonimato, não será preso por manifestar-se, é também direito previsto na Constituição. Então é importante que os profissinais da informação antes de sairem publicando em seus blogs e páginas de opiniões em impressos que a lei tem o objetivo de acabar com a liberdade de expressão na Intenet, deve conhecer os seus muitos direitos assegurados na Carta Magna e que esses direitos, ainda bem, são invioláveis, não que em todos os casos sejam respeitados em todos os lugares e a todo momento aqui no Brasil, mas nesse caso geralmente sim. Os jornalistas devem se preocupar, ou deveriam ter dado mais atenção, a outro aspecto que é apontado por Everton Rodrigues, ativista do Movimento Software Livre e membro suplente do Cgibr (Comitê Gestor da Internet no Brasil), o fato de que o projeto foi “aprovado sem nenhum debate com a sociedade civil.” Devem tratar de outro aspecto previsto na lei que o de não se utilizarem de informações vindas de forma ilícitas. Como por exemplo, o caso de divulgação de fotos ou imagens jogadas por algum espertinho no cyberespaço, sem o consentimento das pessoas envolvidas ou responsáveis por elas.


Em suma, é necessário que a nação brasileira, e outras nações, tenham uma legislação que tratem do ambiente virtual com regras claras. A lei criada por Azeredo pode não ser a mais acertada agora, muito ainda tem que ser revisto e discutido, assim como qualquer outra lei, mas o que vale é que primeiro passo foi dado. Não da forma como se deveria. Por isso é papel fundamental da imprensa principalmente, e porque não também da sociedade como um todo, se manter atenta e promover a discussão sobre o futuro da Internet, estabelecer os limites entre o que segurança e privacidade do usuário, a sua liberdade, e cuidar de forma ainda mais ativa para que a inclusão digital seja uma realidade nas classes mais carentes da população. Questionar e lutar quando a liberdade de expressão na Internet é ameaçada é de vital importância, mas tão importante quanto é fazer com que liberdade de expressão seja praticada por todos, e a Internet é um meio muito prático para isso, porém ela deve, antes de tudo, ser acessível a todos.

Um comentário:

webjorsuperacao disse...

Yuri, bom mesmo sua abordagem à lei Azeredo. Aliás, poucos comentam este assunto e aí vamos ficando a ver navios nesta questão do uso da web sem riscos de processo.
Creio que em parte vc tem razão: é preciso conformizar o mundo virtual com o real. Duro é perceber que toda essa mobilização só ocorreu por conta da proliferação da pedofilia, que é um mal que já existia e era pouco combatido, da mesma forma que a violência à criança.
Cadeia para os que merecem, mas que se deixe em paz a liberdade duramente conquistada.
o.Õ
willweb