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sábado, 14 de junho de 2008

Camiseteria

vendas, concursos, avatares e relacionamentos

Desde o surgimento da rede de relacionamentos Orkut é comum os internautas criarem perfis em inúmeros sites com o mesmo fim. Entre esses foram criados alguns sites com tecnologia similar ao Orkut, como é o caso do site Camiseteria.
O Camiseteria é um site de vendas de camisetas que funciona da seguinte forma: o designer (ou aspirante) envia sua proposta de estampa para o site (de acordo com algumas regras) que será avaliada através de uma pontuação de zero à cinco e comentada pelos outros participantes do site. Após o período dez dias, encerra-se a votação da estampa, que obterá uma nota média final. Dessa maneira o designer corre o risco de ter sua estampa como uma das vencedoras do concurso. O vencedor ganha uma quantia em dinheiro e outra parte em créditos no site para compra de produtos.
Seria apenas mais uma empresa de venda na web não fosse a maneira como o negócio é conduzido pelos idealizadores, que aos poucos criaram uma verdadeira comunidade de discussão das artes gráficas e uma rede propícia para fazer contatos, amizades e divulgação. Isso se dá com a criação dos avatares: cada participante do site tem um espaço com seus dados, foto, estampas enviadas, blog e até uma seção de "favoritos", criada para que o internauta coloque as pessoas que mais gosta ou admira dentro do site. Cada novo participante cria uma verdadeira identidade dentro do site, que pode ser vista através de seu perfil e estampas enviadas.
A seção "Blogbox" é uma das mais interessantes do site, pois as postagens feitas pelos participantes em seu blog pessoal dentro do site aparecem automaticamente no topo da página principal da seção contendo o título da postagem, nome do autor e uma versão reduzida de sua foto.
As ferramentas propiciam a interatividade entre os participantes, com discussões sobre design e ilustração e a evolução no trabalho de muitos designers pode ser observada através das estampa publicadas.
A idéia inicial do site foi inspirada num site norte-americano de concurso de camisetas chamado Threadless, porém com o tempo a proposta do site brasileiro foi tornando-se cada vez mais autêntica e atrativa do que a versão original. No Camiseteria a interação passa a sensação de ser mais estreita, menos fria como no site Threadless.
A proposta é uma ótima oportunidade para se conhecer pessoas com um interesse em comum e esse universo de avatares de "pessoas reais" se alastra pela internet - Lastfm, My Space, Flickr e vários outros - tornando-se uma febre entre internautas, constituindo uma nova forma de se fazer amizades.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

The Sims: A criação de uma identidade digital

The Sims - Pessoas reais com personalidades virtuais.

Com o slogan “Do nascimento à Morte, viva sua vida como quiser”, o The Sims já se tornou o jogo de PC mais vendido da história. A possibilidade de criar e assumir papéis digitais tem sido a maior atração para os compradores, que se unem em fóruns e comunidades para discutir e trocar informações sobre o jogo.
Um jogo simples e interessante, que permite que seus jogadores assumam papéis em uma sociedade virtual na qual poderá viver e conviver como sempre sonhou. Definida como experiência “viva, realista e profunda”, tudo acontece em um mundo 3D no qual desde relacionamentos até combinações de genes são possíveis. Escolher atos, controlar vidas e assumir as conseqüências de cada click sem, de fato, sofrê-las, é o que faz com que milhares de pessoas se apaixonem pelo The Sims.
Poder desfrutar de desejos íntimos, e até ocultos, assumindo uma personalidade virtual (um Avatar) pode, realmente, prejudicar o real-social das pessoas? As opiniões são divergentes. A única questão que realmente entra em discussão quando se trata de The Sims é o consumismo obrigatório para que as identidades digitais possam ser mantidas, ou seja, a compra exacerbada para que seus avatares possam se manter felizes e vivos. Sim! Uma personalidade virtual também pode deixar de existir.
Seria correto colocar o consumo de bens como o ponto principal para manter altos os níveis de contentamento? Talvez não. E é por isso que, em The Sims, os mais consumistas, com casas maiores e uma grande quantidade de objetos, enfrentam dificuldades na hora de se locomover, levando muito mais tempo para caminhar e fazer outras atividades. Sem dúvidas, uma forma de punição para os que cometem o tal pecado do consumo.
O jogo acaba sendo uma quase-fiel representação da vida real. Torna possível a criação de uma identidade digital e sua manutenção. O jogador tem a possibilidade de viver uma segunda vida, mas, ao contrário de outros jogos, não possibilita a interação com outras identidades virtuais-reais, ou seja, não permite que jogadores interajam com outros jogadores. Cada jogador tem o poder sobre um avatar. Toda a interação do jogo acontece de forma mecânica, ou seja, um jogador real controlando uma personalidade interage somente com personalidades fornecidas pelo sistema.
O The Sims traz a noção de identidade digital infinita. O jogo possibilita a criação de identidades digitais que podem ser recriadas milhares de vezes, sem grandes alterações, para que o jogador sempre possa dar continuidade à ficção de uma vida de sonhos.