domingo, 28 de setembro de 2008

Crimes na Internet


Crimes de Pedofilia aumentaram 92% no primeiro semestre de 2008

<ensaios narrativos>

Crimes através da internet vêm aumentando constantemente devido ao fácil acesso que as pessoas têm à rede mundial de computadores. Isso se torna a cada dia um desafio a mais para a polícia, pois qualquer pessoa pode criar e manipular informações. Basta querer e ter vontade para denegrir a imagem, o nome de pessoas e empresas. Não se pode ter um controle e uma vigilância rígidos quanto a esse problema, pois a velocidade com que acontecem esses crimes é absurda. Porém, em abril de 2006, a Justiça Federal de São Paulo conseguiu quebrar o sigilo de algumas comunidades do site orkut, que é comandado mundialmente pela empresa americana Google e suas afiliadas nos respectivos países. Esta quebra trouxe a possibilidade de identificação dos criminosos que utilizam o referido site, cometendo os mais diversos crimes: pedofilia, racismo, nazismo e o objeto deste estudo, calúnia, difamação e injúria.

Como pode-se constatar também nos últimos meses. A polícia está marcando acirradamente a atuação de quadrilhas em todo país. Essa marcação está principalmente sendo feita para o crime de pedofilia internet, pois cresceu 92% no primeiro semestre no Brasil. Muitas pessoas estão sendo identificadas e presas. Como foi o caso da jovem de 19 anos que foi presa acusada de abusar sexualmente do irmão de 4 anos, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. Segundo a polícia, o abuso foi filmado por uma amiga da garota e divulgado por três homens. B.D.N.A confessou o crime, mas afirmou que era apenas uma brincadeira. A criança foi encaminhada ao Conselho Tutelar e a garota à Polinter.

Hoje, grande parte das Lan houses do Estado de São Paulo contam com a lei 12228/06, que as obriga a realizar o cadastro de seus usuários. Desta forma, fica mais fácil filtrar a tentativa de crimes e identificação de criminosos.

Contudo, apesar dos crimes de calúnia, difamação e injúria (capítulo V do código penal. Sendo, calúnia, imputar falsamente fato criminoso a alguém, Art. 138, onde a pena vai de 6 meses a 2 anos e multa. Difamação, imputar a alguém, fato ofensivo a sua reputação, Art. 139, pena de 3 meses a um ano e multa, e injúria, ofender a dignidade ou o decoro de alguém, Art. 140, com pena de 1 a 6 meses, ou multa), mesmo ocorridos em ambiente virtual serem facilmente tipificados, a dificuldade ocorre com ainda com a identificação do autor, pois o perfil criado pelo dono da comunidade, nem sempre é verdadeiro e mesmo que verdadeiro, outra pessoa de posse de sua senha, poderia cometê-lo em seu nome.

Desta forma, a quebra de sigilo resolve parte do questionamento. Porém, traz a tona uma nova problemática: Estariam os nossos tribunais aptos a julgar tais ações, com base simplesmente nas analogias? O judiciário não pode condenar alguém sem ter certeza que realmente ele é o autor do delito. Isso contraria os princípios constitucionais.

No entanto, temos que ter ciência que a internet é uma janela aberta para o mundo e que tudo pode passar por ali. Por isso, como jornalistas e formadores de opinião temos que denunciar sim e ficar atentos a todos esses crimes na internet. Autoridades e a sociedade clamam por uma solução para combater essa em fazer a denúncia para qualquer crime ferramenta de criminalidade. A sociedade tem que ser pró- ativa e não temer do mundo virtual.

Times People

Mais uma rede social está aberta na internet. Desta vez a iniciativa é do sempre inovador jornal americano The New York Times. O projeto chamado Times People, tem como objetivo principal transformar a experiência de ler um site de notícias menos solitária e mais social. Por meio desta rede, é possível compartilhar links e saber o que os contatos estão lendo e comentando dentro do site.

Para participar da rede é preciso fazer um cadastro. O processo é bem rápido!

O Times People fica fixado na barra superior da página enquanto o usuário estiver logado, e mostra uma espécie de linha do tempo, que atualiza minuto-a-minuto as informações dos contatos.

Em destaque, a barra do Times People, indicando as últimas atualizações do usuário

Para ampliar a navegação e conhecer os assuntos mais comentados e recomendados do dia, o usuário pode recorrer à página inicial da rede, que indica as últimas atualizações feita pelos usuários em geral, e os conteúdos em destaque.

"Live Feed", as últimas atualizações; e "Most Active", com os destaques do dia por categorias de recomendação, comentários ou geral

Como na maioria das ferramentas, o usuário, além de buscar contatos por interesses na página inicial e nas ferramentas de busca do site, pode também convidar contatos de email para participar da rede. As opções são as clássicas: gmail, windows live messenger e yahoo.

Importação de contatos: uma forma de multiplicar a rede

Esta é sem dúvida, mais uma opção de navegação, feita de forma a cruzar os interesses dos usuários e abranger o conteúdo do site para as mais diversas comunidades. Uma forma também de pesquisa.. por que não?! Pelas indicações é possível medir o nível de interesse das notícias e identificar o perfil do consumidor das informações.

sábado, 27 de setembro de 2008

Macabéa século XXI



Fiscalização determinante para marreteiros,enquanto corruptos passam ilesos

<ensaios narrativos>

Acordou na quinta-feira fria sobressaltada com o despertador às sete da manhã, após dormir apenas três horas, como costumeiramente estava habituada a fazer. Não que não precisasse dormir, mas o tempo era tão curto e seu o hoje parecia sempre estar tão grávido de amanhãs.
Dona Aurora Vieiras, baiana de nascença, endurecida pela cidade grande, dirige-se toda manhã do apartamento popular da ACOHAB onde mora, no bairro Artur Alvim, até o centro da capital paulista onde vende suas mercadorias.
Aquele dia não foi diferente. Após lavar o rosto dirigiu-se até a janela da pequena sala com móveis antigos e viu com rotineira condição o que sempre enxergava dali: o céu nublado pela poluição vinda dos veículos e indústrias da metrópole.
Tentou ver algo de novo. Não conseguiu.
Tentou respirar um novo ar diferente daquele. Não conseguiu...
Tentou mudar o trajeto da casa para o trabalho. Desistiu e não o fez.
Ela já trabalhara em firmas de São Paulo, mas o emprego nos grandes centros urbanos não é fácil e a falta de especialização cuidou com que fosse retirada e excluída do seu posto de trabalho. E além do mais e do menos, que patrão hoje em dia aceitaria empregar uma mulher de sessenta e oito anos em sua empresa?
Após isso, dirigiu-se à cozinha onde tomou sua meia xícara de café amargo. O açúcar já faltava nas últimas semanas, como a alegria daquela época em que acordar no sítio e ir à missa aos domingos era uma realidade não tão longe de se alcançar.
Mas a vida a obrigara a estar ali. O emprego de vendedora na Rua 25 de Março era justificada para ajudar a pagar as despesas da casa e ajudar na sonhada educação dos netos.
Ao sair de casa naquele sábado tomou o ônibus em direção à sua barraca no coração do empurra-empurra de consumidores.
O ônibus demorou uma hora e vinte para chegar até lá e no meio do caminho lembrou-se do que assistiu na TV na noite anterior. A manchete dizia: Índice de percepção da Corrupção no Brasil se manteve estável em 2008.
Pelo que pudera entender a reportagem fazia uma comparação da corrupção no país com o ano anterior. Divulgando um dado que parecia condizer muito com sua realidade: o Brasil teria caído oito posições no ranking dos países que tem menor corrupção do poder público.
E pensou: as pessoas realmente não vêem.
Ao chegar no início da rua 25, enfrentou a rotina no mar de gente e pernas com passos apressados. Sempre a luta por entre braçadas e a conquista por um espaço com localização estratégica.
Afinal, o vai-e-vem tão paulistano e as lojas montáveis que dividiam o espaço com o trânsito era uma coisa que não era possível de passar despercebido.
As pessoas que vinham até ali em busca de algo barato e diferente.
Apesar da distância entre casa, emprego, família, descanso e memórias antepassadas, dona Aurora compartilhava consigo a nostalgia e a fé de algo que a pudesse tirar dali.
O sistema já lhe pesava nas costas com o passar dos anos. Mas lembrou-se do seu propósito de trabalhar dobrado para não ter de deixar que seus netos futuramente também precisassem trabalhar a passar dias a fio nas ruas vendendo muambas.
Foi trazida de volta à realidade por um rapaz baixo, moreno, provavelmente boliviano ou peruano, que gritava para sua freguesia a inovação do produto que carregava em mãos.
Uma coisa lhe era preocupação constante: a fiscalização policial.

Não que o que fizesse fosse o certo, mas foi uma alternativa que encontrou para sobreviver em meio a tudo àquilo. E depois, se havia um lugar para barrar os produtos contrabandeados nos países vizinhos não era ali. Por que não apreendiam tudo no porto de Santos?
Mas ela sabia como tudo funcionava e a corda sempre estourou mesmo para o lado do mais fraco. Não ia ser agora diferente.
Indignada ficava por saber que a polícia tinha a ciência que as lojas grandes que tinham prédio próprio na rua também adquiriam os mesmos produtos, com os mesmo fornecedores.
E pensou mais uma vez: as pessoas realmente não vêem corrupção.
Neste cansaço psicológico viu surgir à sua frente uma grande confusão de uma mulher que passava pelo local e, de repente, começara a gritar que um dos vendedores ambulantes tinha roubado seu celular. Um monte de gente se amontoou sobre a cena e o que era briga se transformou em espetáculo.
Pensara consigo: as pessoas de cidade grande sofrem de solidão e sempre sentem a necessidade de transformar os fatos em tragédia, pois tudo aquilo já se repetia um dia após o outro.
Eram tanto os dias...

Nos gritos de “devolve meu celular” a própria população providenciou com que o aparelho fosse devolvido pelo rapaz...
A polícia!? Ah, a polícia não apareceu, oras. A polícia nunca chega, a não ser para levar o pouco que cada um conseguiu juntar.
Não dava para ficar rico com um trabalho daqueles. O muito suor e muita luta davam apenas para sustentar a casa.
Aurora já trabalhava lá há dezoito anos naquele local. Sempre a mesma bagunça. Ela já sabia que a fiscalização era maior de segunda à quinta.
Entretanto, aquele dia ela bobeou. Como diria os vendedores “marcou touca e deu bandeira”. Em uma operação da Receita Federal, a Operação Anúbis, que vinha ocorrendo para diminuir o número de mercadorias sem nota fiscal naquela região, viu todas as suas mercadorias serem apreendidas. E junto viu as contas da casa se acumularem, o estudo de computação da neta se interrompido. Sonhos derrubados e desfeitos em pó.
Não, ela jamais vivia mais para si. Era para eles, netos e filhos. Mas nem isso conseguia mais. Era excluída econômica e socialmente e não existia para o governo. O dinheiro para pagar a multa e retirar a mercadoria não existia, nem nunca existiu algo naquele valor.
Dona Aurora sentiu-se intrigada. A falta de organização do poder público, a corrupção dos fiscais, a falta de dinheiro e a falta de esperança.
Poxa! Porque tirar dinheiro e explorar as pessoas que se matam de trabalhar por cem reais? Por que não ir ver que as grandes lojas dali também não pagam impostos sobre as mercadorias?
Sentiu mais uma vez o peso de todo um sistema em cima das suas costas...

Tentou ver algo de novo. E não conseguiu.
Tentou respirar um novo ar diferente daquele. Não conseguiu...
Tentou mudar o trajeto do trabalho para casa. Desistiu e não o fez.

Não agüentava mais.
E foi se encolhendo, tão pequenina, se encurvando, tão frágil, diminuindo, tão mísera. Á sua frente, ao seu lado, todos Gullivers, quando não muitos Golias em fúria. Sobre seus pés, iam se derramando, iam se quebrando. Tudo o que tocava virava catástrofe e revirava tragédia. A vida era uma peça tão pequenina ou ainda mais pequenina que ela própria (e não é que enfim descobrira alguma grandeza?) que se estilhaçava e desabava. Seus pés cobertos já do pó dos sonhos que lhe queriam tragar.
Ou quem sabe não.
Ela, a tão pouca coisa, era quase indiferente aos olhos de todos.
E foi envelhecendo, e foi enruguecendo, e foi entristecendo, e desejando tanto ser um dia, quem sabe após o fim de tudo, alguma pouca coisa. Coisa alguma.
Mas a vida sempre aponta para uma qualquer incandescência mesmo nos infinitos areais de gelo e calafrios. E teve uma idéia para isso.Amou a si própria com tamanho ardor que reverberou em estrela ascendente e efêmera alguns segundo antes do viaduto, do carro, da dor e do fim...

Estudantes de Jornalismo Podados



Opressão contra ideais dos estudantes

<ensaios narrativos>

Ao longo de quatro e duros anos de faculdade ouvi dizer que uma das coisas mais importante para o jornalista é ter opinião, e expor isso para os demais. No entanto acredito que o aspirante a jornalista é um tanto quanto podado dessa função primordial ainda quando está na faculdade. Nossa liberdade de expressão se baseia em expressar aquilo que lhes parece mais conveniente, um exemplo que vem acontecendo recorrente são as agências experimentais.

O aluno pode se expressar, pesquisar, abordar tudo que lhe parecer mais agradável, porém, somente se isso diz respeito ao 3º setor. Há dois anos fazemos matérias para TV, Rádio, Impresso e Web abordando assuntos do chamado 3º setor. Não que essa abordagem não tenha importância ou relevância no campo jornalístico, mas enfim, ela deveria ser melhor organizada, uma vez que somos submetidos a fazer determinados trabalhos, e isso se torna maçante, e o vigor com que a reportagem é feita se torna mínimo.
Manter o aluno a mercê de um trabalho para fins subjetivos da faculdade faz com que não desenvolvamos o trabalho com empenho e satisfação, tornando-o somente uma tarefa obrigatória para cumprir as atividades determinadas pelo curso.

As primeiras matérias sobre o
3º setor não pareciam tão desgastantes assim, até mesmo porque não sabia que a saga se repetiria por dois anos, enfim, o tempo foi passando e agora me tornei uma caçadora de pautas de organizações sem fins lucrativos e não governamentais, até que hoje chegamos ao ponto de fazer um raio-x sobre o terceiro setor de Atibaia, acredito que é um raio-x porque já havíamos encontrado tudo que podíamos, e agora temos que fazer um estudo "ainda mais" profundo sobre um tema do qual nós nem ao menos temos noticias factuais, o que fazemos é achar um objeto, pautar e especular sobre o assunto, que no fim acaba sendo de cunho somente informativo, e para ser bem sincera um tanto quanto repetitivo.

Falo isso tudo a respeito do que sinto e acredito, e do que achei que a faculdade seria e do ela realmente é. Dizem que o que faz uma faculdade são seus alunos, mas o que pensar uma vez que a mesma impossibilita de certa forma que o aluno seja ele mesmo? Me refiro aos alunos que se limitam a mostrar temas abordados infinitamente, enquanto são podados de oferecer pautas que lhe tragam mais tesão para desenvolver e adquirir um compromisso não somente social, mas também emocional, de expor suas idéias e compartilhar aquilo que é realmente importante para ele.

Em uma sala de aula com média de vinte e cinco alunos, são imensas as possibilidades de se discutir e abordar coisas diferentes, que para cada um tem um papel importante em sua vida, seja Cultura - cenário underground, Esportes, Musica, Moda, Religião, Games até mesmo sobre Bombas atômicas. Tudo isso é um desperdício de potencialidades, e no lugar disso nos prendemos a divulgações e explorações de alguns organizadores.

Nada pessoal, mas isso tudo nos torna jornalistas objetivos e não de opinião, nisto estou sendo desonesta comigo mesma, um trabalho mecânico não faz com que eu me desenvolva e cresça jornalisticamente falando, digo que a pratica e o mecanismo não são as mesmas coisas, sair a campo, fazer entrevistas, escrever textos pré-fabricados é mecânico demais, ainda mais porque os assuntos abordados são indiferentes à minha opinião e emoção.

Corinthians e Internacional : novembro de 2005


Chatão e sua bandeira fizeram sucesso na decisão

<ensaios narrativos>

Ao pensar sobre o que escrever neste ensaio, me veio na cabeça a idéia de contar uma história que aconteceu comigo no ano de dois mil e cinco, mais precisamente no mês de novembro. Era reta final do campeonato Brasileiro e meu time estava em primeiro lugar na tabela. Empolgado, decidi fazer uma excursão, com a ajuda de dois amigos de Perdões (Bom Jesus dos Perdões – SP) e esta história pode ser contada assim:

DIA DE JOGO

Desde o dia dois de novembro daquele ano, muitos perdoenses estavam ansiosos para que chegasse logo o dia vinte. No começo do mês, dezenas de cartazes divulgavam uma excursão que sairia neste dia da frente da Igreja Matriz da pacata cidadezinha do interior paulista. O destino: Estádio do Pacaembu para assistir ao duelo decisivo entre Corinthians e Internacional, pelo Campeonato Brasileiro de Futebol.
Segundo os organizadores Rodrigo, Juliano e Lula, houve uma grande adesão dos corinthianos para irem ao jogo; mais de setenta pessoas estavam na lista dos interessados em uma semana, porém dessas pessoas pouco mais de vinte já haviam pago o valor de R$ 30,00 referentes ao ônibus e ao ingresso para o jogo.
Tudo parecia estar muito bem encaminhado quando no dia doze veio uma das noticias que começaria a desandar a maionese dos Corinthianos de Perdões: Haveria limitação no número de ingressos disponíveis para a excursão.
A principal torcida organizada da equipe paulista, a Gaviões da Fiel, que havia prometido os ingressos, informou aos organizadores da excursão que o número de ingressos disponíveis seria trinta, o que lhes causou grande frustração, uma vez que em dois dias foram vendidos mais trinta que totalizavam cinqüenta.
E agora ? Como cortar as pessoas que já pagaram? Essa era a pergunta que os organizadores se faziam.

BIG BROTHER TIMÃO

Das setenta pessoas interessadas, cinqüenta haviam pago, então, quem não tinha pago já estava fora. Mas a organização precisaria devolver o dinheiro de vinte pessoas para fechar em trinta e o critério foi o seguinte: Primeiro: pessoas de Perdões tinham prioridade. Como foram vendidos alguns para pessoas de Atibaia e Nazaré Paulista, esses foram os primeiros eliminados; segundo: Afinidade. Por se tratar de uma cidade pequena, onde as pessoas se conhecem mais, foi dada preferência para parentes, amigos e os mais conhecidos dos organizadores; e em terceiro: a ordem da compra. Esse último, que não precisou ser utilizado, dava preferência a quem comprou primeiro.

ENFIM O GRANDE DIA

Domingo, dia vinte de novembro de 2005, por volta do meio dia sob estouros de rojões, as duas VANS com os trinta e um corinthianos partem sentido ao estádio do Pacaembu.
Um dos mais ansiosos era o Zé Babão, figura conhecida da cidade. Corinthiano fanático, daqueles chatos mesmo, por volta dos 25 anos de idade era a primeira vez que ia assistir a um jogo no estádio.
As latinhas de cerveja davam o ânimo da viagem aproximadamente 70 km. Todos gritavam e batucavam os coros de incentivo ao time nos estádios fazendo com que a viagem passasse logo.
Ao chegar na praça Charles Muller, porta do estádio, Chatão e sua famosa bandeira com a imagem de Carlitos Tevez e os dizeres: “Carlitos el Rei” faziam a festa dos coritnhianos, que não perdiam a oportunidade de posar para fotos ao lado da bandeira.
Luquinhas, irmão do Laerte, que arriscou ir junto com a turma, mesmo sem o ingresso, tentava em vão comprar sua entrada através de cambistas e ao ver um homem desembolsando 320,00 reais por dois ingressos (na bilheteria custava 15,00 cada um) resolveu ficar de fora.
Vale lembrar da situação dos times: o Corinthians era o líder até então com 77 pontos seguido do próprio Internacional com 74, ou seja, a três rodadas do fim do campeonato, uma vitória alvinegra colocaria um ponto final na disputa pelo título, e uma vitória colorada poria fogo no campeonato a duas rodadas do fim.
Dentro do Estádio a Fiel Torcida Corinthiana fazia a festa para empolgar o time soltando balões e erguendo bandeiras que de tão grandes cobriam a visão de milhares de torcedores.

O JOGO

O Corinthians começou pressionando a defesa do Internacional, e criando suas melhores oportunidades pelo lado esquerdo, tanto que chegou a acertar a trave em um chute de Gustavo Nery. Porém a pressão Corinthiana foi abafada pela forte marcação do Internacional, que conseguiu segurar um pouco o time do Corinthians que dependia das jogadas de Carlitos e Nilmar.
Quando voltou a tocar a bola o Timão chegou ao Gol. Aos trinta e sete minutos do primeiro tempo após bela jogada pela direita, Carlos Alberto chutou e a bola desviou na zaga, sobrando para Carlitos empurrar para dentro.
No segundo tempo, o Corinthians poderia ter matado o jogo com duas boas chances desperdiçadas por Carlitos e Carlos Alberto. Em seguida em uma das poucas vezes em que teve liberdade, o atacante colorado Rafael Sobis não perdoou, com um belo chute de fora da área empatou o jogo colocando mais um pouco de água na cerveja dos perdoenses que lá estavam. A partir do gol de empate o Inter era só pressão. Com cruzamentos laterais buscando a cabeça do atacante Fernandão, a equipe visitante causava calafrios nos corinthianos. Este quadro só mudou quando, em um lance duvidoso.O jogador Tinga caiu na área corinthiana pedindo pênalti. O arbitro da partida Marcio Resende de Freitas, interpretou que houve tentativa de ludibriar a arbitragem e puniu o jogador com o cartão amarelo, que por ser o segundo, resultou na expulsão de Tinga. Com a sua saída restou ao Internacional segurar o Corinthians que mesmo com um homem a mais não soube refletir a vantagem numérica em gols, fazendo os perdoenses voltarem para casa com a cerveja aguada.

A Batalha dos Céus: Abutres x Anjos


Assim como a política, o futebol e a religião, quando o assunto é Moto Clube, não se discute.

<ensaios narrativos>

Para muitos, andar de moto é mais do que lazer, é levado muito à sério. Há profissionais que ganham a vida sobre 2 rodas, correndo nas pistas internacionais, nas cidades fazendo entregas, ou ainda, escrevendo para jornais e revistas especializadas. Além disso há ainda os Moto Clubes(M.C.). Embora não seja obrigatório participar desses clubes, o motociclista que vive a experiência de um grande M.C., o segue como uma religião. E não ouse questionar sua escolha, pois certamente será motivo de encrencas.

Motociclista há 7 anos, mas apaixonado por motos desde a infância, tive a oportunidade de unir duas coisas que gosto muito, agora, na faculdade: motociclismo e técnicas de jornalismo. Em recente evento em São Paulo, presenciei o ápice do amor incondicional à um clube, a defesa das cores que representa, ao símbolo que estampa às costas de um colete. O confronto entre dois dos maiores Moto Clubes do mundo: O Abutre's M.C. do Brasl, e o Hell's Angels M.C. Estes homens sim, vivem pelo clube, custe o que custar.

Dia 6 de setembro de 2008, não era pra ser apenas um sábado, uma véspera de feriado, ou um dos dias do maior evento motociclístico do ano, em Interlagos. Pensando bem, pode até ser que qualquer dessas indicações represente fielmente o que foi o dia. Mas à noite, esta definitivamente estava reservada para a batalha.

As aves e os seres alados se prepararam cada qual da sua maneira. Embora nada explícito, ambos os lados já imaginavam o que poderia acontecer. Obviamente, ninguém confirma nada, não há versão oficial, mas cada integrante dos dois grupos já sentia que o vento gelado arrepiava mais do que o normal.

De um lado, os Abutre's, que já foram considerados "raça em extinção", hoje em plena expansão; Genuinamente brasileiro e fundado em 1989, hoje é o maior motoclube do Brasil e da América Latina e o 4º maior em todo o mundo. De outro, os Hell's Angels, os anjos do inferno. Uma facção brasileira de um dos principais motoclubes do mundo, os Hell's Angels da Califórnia, EUA. Pioneiros na adoção de regras miltares no clube, os Hell's Angels estão espalhados por todo o mundo, e não vêem com bons olhos o domínio Abutre na América Latina.

Quando os Abutre's chegaram ao evento, como num vôo rasante e em câmera lenta, atraíram todos os olhares, lentes e flashes. Um comboio com mais de 50 motos, dispostos em 2 filas indianas paralelas, estremeceu o autódromo com o ronco das máquinas negras (uma das regras do Clube é a obrigatoriedade da moto ser da cor preta). A fila de motos era tão grande que a última moto, um triciclo preto decorado com caveiras, crucifixos e caixões, mal havia ultrapassado o portão de entrada, enquanto a primeira moto, a do presidente, já se preparava para estacionar.

Antes disso, porém, outro grupo já havia despertado a atenção e curiosidade dos visitantes. Também com mais de 50 motos, os Hells Angels chegaram exibindo o brilho e o ronco de suas máquinas envenenadas. Característicamente avessos à publicidade à pessoas de fora de seu grupo, os Anjos do Inferno se refugiaram numa área bastante privilegiada; um trecho bem escuro, atrás dos estandes de motos e dos bares, longe dos curiosos, fotógrafos e cinegrafistas. Se tornou perfeito "ponto de observação" ao perceber onde os Abutre's estacionavam: na pista de cima, no meio dos estandes, embaixo dos refletores. Podiam ver tudo, sem ser vistos.

Apesar da aparente tranquilidade, o clima estava tenso. Nem mesmo a presença de nomes consagrados no motociclismo como a O.C.C., famíla protagonista do reallity show "American Chopper" no canal People and Arts conseguiu tirar a atenção dos clubes. Como num jogo de xadrez, cada movimento do adversário é analisado com cautela, e prepara-se para o bote na hora certa.

Cerca de meia hora depois da chegada, os Abutres resolvem descer à pista, até o estande de motos personalizadas. Em grupo, descem seguindo a ordem hierárquica: primeiro o presidente e vice, depois os diretores e por fim, os demais membros do clube. Perto dali, na penumbra, os Anjos observam... e se preparam.

No estande há um bar, oficinas, mesas e cadeiras. As belas motos, em exposição, dão um toque final à cena que viria a seguir: os Abutres reunidos em volta de seu presidente, como num grande círculo de coletes de couro pretos com a ave desenhada às costas. Em meio à multidão de pessoas que passavam por alí, surgiu um grupo de homens e feições nada amigáveis. Coletes jeans com um crânio alado às costas, em tom vermelho, completavam o visual. Eram os Anjos, os Hell's Angels indo em direção à luz dos refletores, ao encontro dos Abutres.

Em fila, se posicionaram atrás do outro grupo, fazendo a chamada "meia-lua" e encurralando os abutres que foram pegos pelas costas: eles não esperavam, foram pegos de surpresa.
Começa um empurra-empurra. Alguém do lado vermelho grita em tom irônico e provocativo: "vamos montar um ringue para brigar com as bonecas?" O estopim foi aceso, mas o que explodiu foi um soco abutre no rosto angel. O que se seguiu foram minutos de pânico para os visitantes e expositores. Copos, garrafas, cadeiras e correntes, qualquer coisa havia se transformado em armas, mas não eram as únicas; facas, canivetes e revólveres foram vistos na briga, e funcionaram. Ouviam-se gritos de desespero, de ordens e de ataque. Homens caídos ao chão, outros agarrados, caindo sobre as motos estacionadas, uns feridos, outros tentando ferir alguém. Os abutres, em maior número na briga, avançaram; os angels em menor número, mas mais preparados e armados, resistiram. Até a chegada da polícia.

Era tarde, o estrago já estava feito. Cinco feridos, um deles com um tiro na perna foram levados aos hospitais da região. Durante a "batalha dos céus" na terra, alguns ficaram sem poder voar, pelo menos por um tempo. Essas feridas fecham e se curam, ao contrário dessa guerra que só está começando e não há previsão para acabar. Esta foi apenas a primeira batalha.

Eleições 2008: acusações e erotismo no YouTube


YouTube virou palco de vídeos sobre a vida íntima de candidatos em Bragança

<ensaios narrativos>

As eleições municipais de 2008 inauguraram uma nova forma de se fazer campanhas eleitorais. Por alterações na lei, estão proibidos os grandes comícios, com a participação de artistas, a distribuição de brindes e os churrascos. Dessa forma, restou aos candidatos a árdua tarefa de “gastar o sapato” e a saliva para abordar os eleitores e convencê-los a dar a graça do voto.

A propaganda eleitoral no rádio e na televisão ajuda, é verdade, mas está cheia de regras e não permite aos candidatos dizerem o que gostariam, ou o que querem que os eleitores acreditem, sobre os adversários. Em tempos cibernéticos, a Internet acabou se tornando o palco de inusitadas disputas eleitorais, nem sempre em alto nível.

Um fato pitoresco acontece em Bragança Paulista, no interior de São Paulo. A cidade tem cerca de 150 mil habitantes, 100 mil eleitores e sete candidatos a prefeito. Os meios de comunicação não são tão acessíveis para todos. São duas rádios, cada uma controlada por um determinado grupo político, e os principais jornais que circulam no município nem sempre se propõem a publicar algo que vá contra esse ou aquele candidato. Sobrou então a Internet.

Há pelo menos 30 dias a cidade assiste a capítulos semanais de vídeos amadores postados no site You Tube com escândalos, acusações e fatos pitorescos da vida dos candidatos. Praticamente todos já protagonizaram alguma as pequenas novelas.

Tem trama para todos os gostos. Desde acusações sobre um assessor que teria mandado dinheiro para a Suíça, sobre um secretário que teria feito fotos pornográficas de uma menor e condenado pela justiça, sobre um candidato que teria mandado castrar o homem que tirou a virgindade de sua filha, até a reprodução de uma suposta conversa telefônica entre um candidato a prefeito – casado e sua candidata à vice. No suposto grampo, os dois trocam juras de amor, frases picantes e até relatam uma suposta transa em um dos gabinetes da Câmara Municipal (ambos são vereadores).

Até agora não se sabe se as gravações são reais nem de onde teriam partido, mas são assuntos inevitáveis nas conversas pela cidade. A forma como o candidato a prefeito trata a sua vice nas gravações - “Bebezinhoooo” - viraram febre entre os ring tones de celulares e frases ditas por ele são constantemente repetidas em rodas de amigos e mesas de bares.

Os vídeos dos supostos candidatos amantes – até a postagem desse texto foram três - já figuram entre os mais acessados do You Tube, principalmente pelo seu apurado teor erótico. “Se não der trinta litros eu chuto o balde”, diz em um momento da gravação o candidato, supostamente, se referindo aos seios da sua vice. “Sou uma vaca”, responde a moça em outro trecho do suposto grampo.

Em outro capítulo da trama de mau gosto, o candidato pergunta como ela estaria naquele momento. “To peladinha com o peitinho de fora”, é a resposta. O primeiro capítulo termina com uma frase digna de vídeos da “Brasileirinhas” (produtora de filmes eróticos). “Estou aqui como p.. (órgão genital masculino) pensando em você”. Com tanta baixaria no ar, sem saber no que acreditar, o cidadão tem mais dúvidas do que certezas sobre como se decidir pelo voto. A polícia quase nada pode fazer para identificar e prender os autores dos vídeos. Por enquanto, de certo é que se as explicações não forem boas, alguns casamentos podem acabar por causa disso.