terça-feira, 18 de março de 2008

O web jornalismo X o Jornalismo publicado na Web

O webjornalismo deve ser feito para atender a um publico alvo específico com suas características

Grande parte do conteúdo jornalístico da web, na verdade não é webjornalismo. O que se faz é publicar na web, textos artigos e documentos escritos para a mídia impressa. Isso não é webjornalismo, mas sim, uma versão eletrônica do jornalismo tradicional.

Esta prática é muito usada pelas empresas que possuem uma área de seus sítios destinada à informação – noticia – mas que não criam, não instruem nem orientam suas equipes no sentido de criar o verdadeiro webjornalismo, constituído de todos os recursos que lhe fornece sua tão distinta característica.

O bom webjornalismo pode gerar um considerável retorno à empresa e, certamente, gerará muito mais interesse ao internauta, o que fará com que este visite mais a página. Dentro do conceito capitalista que nos cerca, certamente o verdadeiro webjornalismo criará para a empresa uma ferramenta de promoção barata e eficaz e, além disso, justificará o pequeno investimento para sua criação.

Nem todos os sites de noticias trabalham com o jornalismo da web. Há sites especializados em oferecer aquilo que está no impresso, ou na televisão, como é o caso do site radiobras, que oferece, diariamente, a relação do conteúdo das capas dos principais jornais do país. Isto também é prestação de serviço e é, certamente, uma ferramenta muito importante. No entanto, deve-se observar que este sitio tem este propósito, e nenhum outro, não sendo necessário, assim, que ele publique um conteúdo criado especialmente para a web.

Da mesma forma, os sítios noticiosos que tem como objetivo a instantaneidade da informação, não tem tempo nem disposição para trabalhar o conteúdo para a web, conferindo-lhe características midiaticas.

Como relacionado no artigo JOL: velocidade e qualidade devem andar juntas de Nina Regato, com o desenvolvimento da web e, consequentemente, do webjornalismo, a pressa de alguns sítios para oferecer a noticia primeiro supera a oportunidade de criar um conteúdo mais desenvolvido que ofereça mais opções de navegação, porém, este é o objetivo destes sítios e é o porque deles existirem. Em um segundo momento, caberá a agência selecionar as matérias que tiverem real importância e, ai sim, desenvolver seus conteúdos. Em hipótese alguma, no entanto, o webjornalismo poderá ignorar a atenção na apuração de dados e/ou na estruturação da matéria, em função da instantaneidade.

Surge ai, uma nova problemática: O webjornalismo enquanto noticia atual e ágil e o webjornalismo enquanto noticia com recursos multimidia.

De um lado, temos as grandes agências de jornalismo na web que oferecem as “últimas notícias” e estas, geralmente, não contam com recursos multimidia. Sua real função é informar o internauta sobre o que acontece, no menor tempo possível. Neste nincho, temos a interminável corrida pelo publicar primeiro.

De outro lado, o Estadão oferece, em sua página da web, esta construída com este sentido, um conteúdo com recursos próprios da web, como os famosos TAGS, com a possibilidade de modificar o tamanho da letra do texto, do internauta postar seus comentários, tudo de maneira fácil e prática, fomentando assim a máxima interação do veículo com o internauta.

A página inicial do portal oferece o maior numero de informações, sendo toda ela constituída de conteúdo hiperlinkado, inclusive fotos. Ela oferece todo o tipo de informação e de formatos possíveis. Oferece links para os mais diversos veículos da agência, oferece vídeo, blog, e-mail, radio, podcast, RSS, tags, últimas notícias, enfim, tudo o que se pode quer.

Este seria o ideal de webjornalismo? Será que a constante utilização de TODOS os recursos que a web oferece é o ideal e o futuro do webjornalismo?

Creio que não. Acredito que o Estadão é, de fato, um portal jornalístico que oferece tudo o que se tem de atual, dentro de seu propósito, mas isto não impede que outros sitios ofereçam a oportunidade de o leitor consultar na web, o impresso de sua preferência, sem modificações, como é o caso das revistas da Editora Abril, que podem ser lidas da mesma maneira que na versão impressa (dá até para virar as páginas).
O importante não é seguir a tendência e utilizar todos os recursos que uma mídia oferece. O importante, na minha opinião, é que se utilize o máximo de uma mídia, mas sem esquecer o propósito de seu produto. Se o intuito é se oferecer a revista impressa na web para o leitor, que se crie um site em Flash, mas que se mantenha seu formato, suas características, que não se introduzam conteúdos e links que não interessam a seu público.

Jornalismo digital: repetição ou inovação?

O jornalismo na web representa uma nova forma de produção e distribuição de notícias


A internet não mudou o jornalismo como se esperava, concluiu um estudo do Project for Excellence in Journalism nos Estados Unidos. Embora o jornalismo digital devesse apresentar novas vozes e democratizar a informação, atualmente os sites apresentam as mesmas notícias. A repercussão do fato do dia se expande pelos diversos canais de notícias na web. O tema é abordado incasávelmente, sob na maioria das vezes, do mesmo anglo até que ele se esgote.

Fatos polêmicos envolvendo pessoas públicas tendem a se alastrar com mais rapidez. A ligação do governador de Nova York, Eliot Spitzer com um esquema de prostituição e posterior renúncia foi noticiada de forma mais especuladora pela internet após ser publicada pela primeira vez no site do jornal New York Times.

Outra característica do jornalismo digital é o crescente número de propagandas que lutam com a notícia pela atenção do leitor. As cores e ofertas "irresistíveis" desconcentram a mente do internauta que estaria interessado no conteúdo da página. Contudo, não há como uma página sobreviver na web sem o espaço publicitário.

O jornalismo digital atualmente é muitas vezes a única forma de uma pessoa se manter informado sobre o que acontece a sua volta. Não há como negar a importância da internet e do jornalismo inserido na web. Por isso, profissionais da área devem ser éticos e estarem comprometidos com a verdade. As fontes são essenciais para isso, já que um dado incorreto pode comprometer não só a credibilidade do jornalista como do site para o qual ele escreve.

domingo, 16 de março de 2008

Aquecimento Global na imprensa brasileira

O jornalismo ambiental ainda apresenta dificuldades


As temáticas aquecimento global e mudanças climáticas foram inseridas nos meios de comunicação, o que falta é explorar as imensas possibilidades de pautas. Esta é a conclusão do relatório “Mudanças Climáticas na Imprensa Brasileira: uma análise de 50 jornais no período de julho de 2005 a junho de 2007”, realizado pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI), com o apoio da Embaixada Britânica no Brasil.

Segundo aponta o relatório, o assunto ganhou expressão nos jornais a partir do último trimestre de 2006, devido ao lançamento do Relatório Stern, do filme Uma Verdade Inconveniente, dos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima (IPCC, sigla em inglês) e a ocorrência de fenômenos naturais como possíveis conseqüências das alterações no clima.

O enfoque ambiental foi a principal forma que os jornais escolheram para reportar a temática, seguida pelo enfoque econômico. O que conforme o estudo não significa um aprofundamento da temática, já que em veículos internacionais são apresentados debates em outros enquadramentos como tecnologia, sociocultural, individual/mudanças de comportamento, dentre outros.

A pesquisa mostra uma diversidade de fontes ouvidas nos 997 editorias, artigos, colunas, entrevistas e matérias analisadas. As fontes mais freqüentes foram especialistas, poderes públicos, técnicos e universidades, empresas não estatais e governos estrangeiros. Por outro lado, menos de 10% dos textos trazem opiniões divergentes e 30% não explicita as fontes consultadas.

Via: ANDI

Leitura de jornal é maior entre os mais velhos

Mais velhos preferem veículos impressos

Os jovens que lêem pouco ou simplesmente ignoram os jornais impressos consomem mais notícias ao visitar o site do veículo de comunicação.

A possibilidade de uma pessoa ler jornais diariamente aumenta conforme a idade. Quanto mais velho for o leitor, maior a chance de ele se dedicar à leitura dos periódicos. No entanto, os impressos chegam a ser desprezados por grande parte da população mais jovem, segundo pesquisa feita pela comScore divulgada no último dia 13 de março.

O estudo confirma que 39% dos usuários que têm entre 18 e 24 anos tendem a não ler o jornal, enquanto que os leitores com mais de 65 anos estão propensos a ler o impresso 2,96 vezes com mais freqüência do que a média. De acordo com a consultoria, a leitura de jornais impressos tem relação direta com a idade do leitor. Apesar do resultado, os jovens são mais consumidores de informação, apenas buscam outras fontes que não sejam os jornais, como sites e televisão.

Segundo o vice-presidente executivo da comScore, Jack Flanagan, “os leitores que não consomem jornais compõem um segmento particularmente importante a ser alcançado já que consomem mais notícias do que o padrão, eles só preferem consumi-las no formato digital”. Um desafio para os jornalistas.

Via: IDG Now

quinta-feira, 13 de março de 2008

Individualização: vantagem ou desvantagem?

A personalização pode causar riscos


Conhecer o público e entendê-lo sempre foi, ou deveria ser, essencial para jornalistas e empresas de mídia. Na comunicação tradicional se pensava em público-alvo. Depois da chegada da Internet os critérios mudaram. A personalização é um diferencial entre web e outros tipos de mídia.

Fazer essa individualização com o produto jornalístico se tornou uma preocupação dos principais grupos de mídia do mundo. Mas ainda nada foi aperfeiçoado. As iniciativas estão fundamentadas em escolhas feitas pelos próprios leitores. As pessoas podem escolher se querem receber notícias sobre economia, cultura, esportes ou política.

No site do jornal
O Globo, por exemplo, existem três opções de página inicial, uma para cariocas, outra para paulistas e ainda uma página nacional. O site do Newser seleciona pelo “peso” das notícias. Em primeiro lugar vêm economia e política internacional, em segundo, cultura e entretenimento, que são mais “leves”. Porém, Yahoo e Google estão mais avançados do que as empresas jornalísticas. O Google News e o My Yahoo permitem que o internauta construa sua própria página, desde a cor até as reportagens.

Segundo Dominique Wolton, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França e diretor da revista Hermès, especializada em comunicação, a segmentação e a personalização excessivas podem funcionar como cimento social e causar riscos. Os meios podem levar à individualização e as pessoas só lerem o que já conhecem, sem abertura para inovações. Para Wolton, a Internet perde em interatividade.

Via:
Sublide; Revista Época

segunda-feira, 10 de março de 2008

“O feminismo na imprensa brasileira”

O jornalismo feminino está presente em vários meios de
comunicação atualmente

Ana Rita Fonteles, pesquisadora e jornalista formada pela Universidade Federal do Ceará (1998) e mestrado em História Social pela Universidade Federal do Ceará (2002). Atualmente é doutoranda em História da Cultura pela UFSC. Ela publicou recentemente Carmen da Silva - O feminismo na imprensa brasileira. Nesta obra, a autora busca recuperar a trajetória de vida e os caminhos profissionais traçados pela mais influente jornalista da imprensa feminina no Brasil.

Os temas polêmicos para a época debatidos por uma mulher, possuíam mais credibilidade para suas leitoras. A revista Cláudia (Editora Abril), na qual Carmen escreveu interruptamente de 1963 a 1984, era escrita por homens, os quais jamais conseguiriam entrar nas profundezas da mente feminina. Carmem conseguiu despertar a atenção do público feminino através de textos, e tornar-se uma intermediária de todas as mulheres ao escrever sobre as dúvidas e opiniões do universo feminino. Isso a tornou um dos símbolos da modernização da imprensa e da sociedade brasileira contemporânea e uma valiosa contribuição no jornalismo feminino brasileiro.

Hoje em dia, o foco dos textos direcionados às mulheres não possuem, na maioria das vezes, a característica de tratar de problemas e pensamentos femininos. Ao contrário, são apostilas que ensinam como as mulheres podem dominar os homens ou transformarem-se em objetos perfeitos para eles. Talvez os jornalistas atuais e os do futuro possam aprofundar-se um pouco mais nas dúvidas e anseios femininos sem preocupar-se somente em “vender” a imagem de mulher perfeita.

domingo, 9 de março de 2008

Chegada "Especial" da Família Real


Como o Estadão e a Folha trataram a "Chegada Real"

As comemorações ligadas à chegada da família Real no Brasil, em 1808, motivou que os dois jornais mais expressivos de São Paulo e do país, mostrassem como isso poderia ser percebido grafica e interativamente na web. O Estado de São Paulo preparou impresso tal como pergaminho —em tom amarelado— que foi preservado na web, de modo bastante didático e simples, todo ele em flash.

A Folha de S. Paulo, por sua vez, simplificou e preferiu apostar em seu banco de dados ou na memória que há em torno deste evento, na medida em que recorre a dois tipos de menu: por meio dos títulos e das seções. Em termos de linguagem de web, O Estadão parece ter-se preocupado mais com a possibilidade de o leitor passear por meio dos cliques na apresentação flash, com arrastamento via mouse e janelas de informação. A Folha, no entanto, adotou basicamente o recurso do link clássico, com remissão ao seu conteúdo.

Para quem lida com o jornalismo, vale a pena uma navegação nestas publicações, não só para avaliar mas para apreciar como os veículos tratam eventos e publicações especiais tematizadas. Uma tentativa de ver o que o Correio Brasiliense fizera para esta comemoração, além de difícil localização, foi impedida por meio de popups solicitando login e senha, sinônimo de que ainda se está longe de liberação de conteúdo na web.
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Via: Estadão e Folha de S. Paulo