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sábado, 30 de agosto de 2008
Companheiros de trabalho
Que o jornalismo não é imparcial todo mundo já sabe. Que muitas vezes defende interesses políticos ou econômicos também não restam dúvidas. Mas um ponto importante foi ressaltado há algum tempo pela imprensa: escrever isso abertamente dá processo.
Não são poucos os processos por calúnias e danos morais que circulam no judiciário movido por jornalistas contra seus próprios companheiros de trabalho. O destaque dessa vez fica com a guerra travada entre o jornalista Luis Nassif que montou em seu blog um especial sobre a Revista Veja, e o colunista Diogo Mainardi, que abriu o processo contra Nassif e o portal IG por calúnia e difamação.
Intitulada de “O Caso Veja”, a série de Nassif já rendeu outros dois processos, no final de fevereiro. O primeiro ajuizado pelo diretor de redação da Veja, Eurípedes Alcântara e o outro movido pelo editor da coluna Radar, Lauro Jardim.
Segundo Nassif, a relação entre ‘o quarteto da Veja’ (Mainardi, Jardim, Alcântara e Mário Sabino) servia para favorecer um esquema criado pela revista em que se estabeleceria ligação direta com o banqueiro Daniel Dantas.
Ao comentar os ataques, Nassif afirmou através de seu blog que a revista procura "calar os críticos" com ataques à honra pessoal e ações judiciais. "Na outra ponta, busca-se calar os críticos entupindo-os de injúrias (em 1,2 milhão de exemplares) e processos. São custos altos para a defesa e custos altos para as ações contra a revista".
Um fato que chama atenção é a disputa estar ocorrendo entre uma revista e um blog, o que responde claramente a dúvida de jornalistas e blogueiros sobre qual o alcance de um blog: O suficiente para abalar uma revista semanal e de veiculação nacional.
sábado, 5 de abril de 2008
"Cada Macaco no Seu Galho"
Mais um crime que choca o país. Uma criança de cinco anos é atirada pela janela do sexto andar de um prédio, em São Paulo. Os principais suspeitos, os próprios pais. O povo clama por justiça. Um fato que é intensamente explorado pela mídia, especialmente os telejornais, que por sua vez, destacam equipes exclusivas para a cobertura do crime. Para os sensacionalistas, um prato cheio.
A polícia, por sua vez, está cautelosa. Procura utilizar o termo "custódia" para se referir ao pedido de prisão preventiva do casal Alexandre Nardoni e Anna Claudia Jatobá, pai e madrasta da menina Isabella. E todo esse cuidado se justifica. Pois foi também em São Paulo, há 12 anos, que aconteceu um caso de condenação prévia por parte da polícia e da mídia. A inevitável comparação com o caso da Escola Base.
Na época, todos os indícios levavam a crer que os proprietários abusavam sexualmente das crianças, mas depois, ficou provada a inocência dos acusados. As marcas deste erro, porém, são sentidas até hoje pelo casal, que teve sua vida arruinada.
Alexandre Garcia, durante o Bom Dia Brasil de ontem, foi muito feliz no comentário, e alerta: "Cabe à polícia apurar a autoria do crime, a promotoria denunciar e a justiça julgar. A nossa missão, a do jornalismo, não sensacionalismo, é informar o trabalho das instituições; é mostrar fatos crueis e brutais como este, de modo que eles não se repitam." Resta saber se o jornalismo, assim como a polícia, nesse caso, também aprende com os erros do passado.
Em outras palavras, cada um na sua, e que o pedido da mãe de Isabella se confirme: "Que a justiça seja feita", mas pela justiça, não pelas capas dos jornais.
A polícia, por sua vez, está cautelosa. Procura utilizar o termo "custódia" para se referir ao pedido de prisão preventiva do casal Alexandre Nardoni e Anna Claudia Jatobá, pai e madrasta da menina Isabella. E todo esse cuidado se justifica. Pois foi também em São Paulo, há 12 anos, que aconteceu um caso de condenação prévia por parte da polícia e da mídia. A inevitável comparação com o caso da Escola Base.
Na época, todos os indícios levavam a crer que os proprietários abusavam sexualmente das crianças, mas depois, ficou provada a inocência dos acusados. As marcas deste erro, porém, são sentidas até hoje pelo casal, que teve sua vida arruinada.
Alexandre Garcia, durante o Bom Dia Brasil de ontem, foi muito feliz no comentário, e alerta: "Cabe à polícia apurar a autoria do crime, a promotoria denunciar e a justiça julgar. A nossa missão, a do jornalismo, não sensacionalismo, é informar o trabalho das instituições; é mostrar fatos crueis e brutais como este, de modo que eles não se repitam." Resta saber se o jornalismo, assim como a polícia, nesse caso, também aprende com os erros do passado.
Em outras palavras, cada um na sua, e que o pedido da mãe de Isabella se confirme: "Que a justiça seja feita", mas pela justiça, não pelas capas dos jornais.
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