Depois da batalha entre blogueiros e jornalistas em torno da relação blogues/jornalismo, briga que ainda ecoa na blogosfera, a mais nova discussão que assoma no horizonte virtual é a substituição do blog, que tem sua suposta morte decretada por alguns especialistas, pelo Twitter. E novamente o jornalismo está em pauta.
Se a discussão sobre “praticar jornalismo nos blogues é para blogueiros ou jornalistas” se arrasta na blogosfera, a disseminação do Twitter trouxe questão parecida, porém com menor intensidade, pois a plataforma não permite reportagens (assim como os blogues não permitiam), e sim, notícias curtas. A transmissão de notícias no Twitter é feita por qualquer um com total liberdade, mas a credibilidade do jornalista, neste caso, suplanta à de outros twitteiros, mesmo dos mais conhecidos, e faz com que seja mais seguido por quem busca informações.
Blogueiros, no entanto, parecem não se intimidar com o futuro sombrio previsto para os blogues. Linkaram o Twitter ao conteúdo do blogues transferindo a popularidade adquirida para a nova ferramenta. Defendem a queda dos posts como consequência da demanda de atualizações exigidas pelo Twitter, tratado-o como extensão dos blogues.
Já para o jornalismo, o risco do imediatismo das informações transmitidas via Twitter, por qualquer pessoa, pode ser prejudicial. Segundo a pesquisadora em novas mídias da PUC-SP e autora do blog Http://remixnarrativo.blogspot.com “Esse imediatismo não pressupõe abandonar a apuração como sempre foi. Já houve problemas disso no Twitter. Esse é o risco”. Para Ana Maria Brambilla, pesquisadora em jornalismo cidadão da PUC-RS, em entrevista ao site Link – Sua vida digital, “Não se pode esperar um nível de credibilidade grande, mas é um bom ponto de partida para jornalistas cobrirem acontecimentos”.
As novas mídias são realidade e estão incorporando o fazer jornalístico, mudando as formas de comunicação. Novas linguagens jornalística estão surgindo e o jornalista deve estar atento à elas, sem esquecer, porém, o principal, o conteúdo, como afirma o jornalista Ricardo Kotscho em artigo publicado em seu blog “Para mim não faz a menor diferença se escrevo um texto para a internet, uma revista ou um novo livro. Nós repórteres, somos contadores de histórias da vida real – o meio usado para isso, a tal da plataforma, pouco importa”.
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terça-feira, 26 de maio de 2009
Jornalismo e mudanças midiáticas
terça-feira, 19 de maio de 2009
A precipitação do jornalismo digital
Afrontando todas as regras do jornalismo, a blogosfera leva à diante a guerra pelo chamado ‘furo-jornalístico’. A sede de noticiar antes de qualquer outro veículo midiático é grande e faz com que muitos se esqueçam de apurar os fatos antes de publicá-los.
Para o jornalista Carlos Castilho, “publicar primeiro e filtrar depois é um processo derivado do uso crescente do sistema de código aberto, por meio do qual produtos e serviços com base no conhecimento são gerados a partir das contribuições de milhares de pessoas, 90% das quais não têm conhecimento técnico sobre o tema em questão”. Já o também jornalista Fábio Monteiro, decidiu abordar de forma divertida os erros publicados em sites, blogs e outras mídias, no blog “Que jornalismo é esse?”, onde aponta diversos erros cometidos na hora de informar os cidadãos.
Se por um lado alguns erros soam de forma cômica, outros se tornam imperdoáveis, como no caso do sequestro da garota Eloá Pimentel, quando o Governo do Estado de São Paulo divulgou a informação errada afirmando a morte da garota, o que logo já estava em todos os sites como destaque na página. Fica então a dúvida: o que é mais importante atualmente, informar de forma verdadeira ou ganhar a guerra do furo jornalístico?
Analisar e apurar os fatos são deveres de jornalistas capazes, que mesmo tendo o tempo como seu inimigo, não escorrega na regra clara do jornalismo digital: publicar primeiro, corrigir depois. Como Castilho afirmou em seu artigo, é possível que daqui um tempo os internautas sejam capazes de filtrar notícias, mas até lá quantas pessoas terão morrido para depois ressuscitar de um erro chamado precipitação?
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