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sábado, 27 de setembro de 2008

O quarteirão do entretenimento



Praça Benedito Calixto: encontro cultural

<ensaios narrativos>


Mais uma segunda-feira e Eduardo Viotti, jornalista de 30 anos, segue ao trabalho. Já exausto – reflexo do fim de semana. E que fim de semana.
Freqüentador assíduo da praça Benedito Calixto, é lá que o jornalista se “refaz”, ao som de um bom chorinho, se concentra com as obras de arte e repõe as energias degustando os quitutes da extensa praça de alimentação.
O quarteirão cultural é circundado por restaurantes, bares e lojas de decoração. É ousado, concentrando gente moderna, artistas, amantes da antiguidade, pais com filhos pequenos, ou – simplesmente curiosos. “Sou jornalista, sou curioso; é aqui que passo meus sábados; é aqui que deixo meu estresse do dia-a-dia; é aqui que recarrego minhas energias”.
Viotti, com sua bolsa transpassada pelo corpo, olha – todos os sábados – aos arredores da Praça Benedito Calixto. “Não, não estou em busca de pautas; estou em busca de paz”. Paz? Ao som do “Chorinho na Praça”? A resposta é sim, pelo menos para Viotti, que chega aos sábados bem cedinho na praça, aprecia as novidades expostas pelos artesãos ou móveis, lustres e outros objetos antigos à venda; antes de ouvir a roda de choro tocar, que tem início às 14h30, ele também presta atenção nas declamações dos poetas, e nas performances dos artistas “multitarefas”.
Ao som do chorinho durante a tarde, Viotti senta um pouco longe do “borburinho”, fica embaixo de uma árvore e lê um capítulo do livro. Às 18h, quando termina o “sonzinho maestral”, como ele mesmo gosta de citar, a praça ainda acolhe espetáculos de música de diversos gêneros. Um desses espetáculos que acontece com bastante freqüência é a apresentação de corais às 18 horas, encerrando as atividades da Feira.
Mas não para por aí: esse ponto de referência intelectual e cultural – que já faz parte do calendário turístico e de lazer de São Paulo – também recebe – duas vezes ao mês – o projeto “Autor na Praça”, e desperta muita atenção do público. E de Viotti também. No espaço de apresentações Plínio Marcos, autores fazem lançamentos de seus livros enquanto batem um papo descontraído com os freqüentadores. Viotti, curioso ao extremo, não perde nenhum desse evento e, diga-se de passagem, não deixa nem sequer outros curiosos fazerem alguma pergunta aos autores, pois ele não se limita a ficar calado – nem que seja por um instante, quando rodeado de pessoas intelectuais tanto quanto ele. “Ossos do ofício”, ele mesmo diz, contrariando a conversa de que não arrumaria pautas e mais pautas durante o seu “lazer” na Praça Benedito Calixto.
Eis que agora, neste momento, Viotti está no metrô, rumo ao seu trabalho. Mais uma semana se inicia e ele de olho no tempo, torcendo assiduamente para que o tão esperado sábado chegue logo. Viotti chega no trabalho tira um velho caderninho da tão “rodada” bolsa transpassada e senta frente ao computador. E lá registra todos os momentos de um dia ensolarado ao som de chorinho, quitutes e cultura. E no dia seguinte, os anônimos artistas estão estampados na capa de um conceituado jornal, com a seguinte manchete. “O anônimo só existe para quem quer ficar no anonimato”.

Um ano sem a pura arte brasileira


Paulo Autran - o ator brasileiro considerado pela classe teatral como o "senhor dos palcos"

<ensaios narrativos>

Ao parar para pensar sobre os acontecimentos recentes e marcantes que pudessem virar uma ótima matéria, acabei por me lembrar de uma espécie de auto de natal, realizado no Paraná que, devido à minha vida de estudante trabalhador falido, só pude acompanhar pela tv.
Foi um evento realizado em um grande prédio de Curitiba, com centenas de crianças espalhadas pelas janelas do edifício, entoando canções natalinas. Tudo muito lindo. E no meio de todas aquelas crianças, encontrava-se Paulo. Mas não era um menino qualquer. Ele estava lá, cantando e encenando com as crianças, fazendo referências à infância e à importância do espírito do natal. Um pequeno detalhe diferenciava aquele menino dos outros: ele estava no meio dos seus oitenta e tantos anos. Presentes ali, estavam as mil faces de um dos maiores e melhores atores brasileiros: era Paulo Autran.
Hoje, quase um ano depois de sua morte, podemos parar para pensar na idolatria que costumava (e ainda costuma) rodear o nome de Paulo Autran. Sua história, dizem por aí, se mistura com a história do teatro brasileiro do século XX. Mas também pudera.
Paulo lutou para que o teatro brasileiro pudesse estar em contato com o povo brasileiro. Foi uma pessoa que lutou pela liberdade, lutou pela classe, lutou pela evolução cultural do Brasil.
E, infelizmente (e até inevitavelmente), o teatro brasileiro ficou mais pobre. No dia 12 de outubro de 2007, por conta de um câncer de pulmão e um enfisema pulmonar, Autran faleceu. Os palcos de teatro brasileiro se estremeceram com a notícia. Não havia como aceitar que uma peça-chave da dramaturgia havia cumprido sua missão. E que missão!
Paulo Paquet Autran nasceu no Rio de Janeiro, mas passou a maior parte de sua vida na cidade de São Paulo. Com poucos meses de idade foi para Espírito Santo do Pinhal, interior de São Paulo e em 1927 sua família se mudou para a capital paulista.
Influenciado pelo pai, que era delegado de polícia, o jovem Paulo se formou em Direito na Faculdade do Largo São Francisco (USP) em 1945. Advogou até 1949, quando, através de algumas apresentações amadoras que fazia por hobby, conheceu Tônia Carrero, também atriz iniciante, da qual se tornou grande amigo e parceiro de palco. Foi com Tônia que Paulo encenou sua primeira peça (“Um Deus dormiu lá em casa”). Com esse primeiro trabalho foi premiado pela Associação Brasileira de Críticos de Teatro. E a partir daí, Paulo não parou mais.
Em 1956, com Adolfo Celi e Tônia Carrero, fundou uma companhia teatral que durou 5 anos. Depois, seguiu carreira independente. Foram 55 anos de carreira, cerca de 90 peças teatrais e 15 filmes, além de novelas e especiais para a TV. Seu último trabalho foi a peça “O avarento” de Molière.
Ainda hoje, quase 365 dias depois de sua morte, se tivéssemos que definir Paulo Autran, usaríamos duas palavras que possuem as mesmas iniciais de seu nome: Pura Arte. Paulo Autran sempre foi pura arte.Ele era orgulho para qualquer brasileiro. Vivia para o teatro e para os cigarros. Fumava cerca de 4 maços por dia. Era culto e inteligente. Contudo, por conta dos cigarros, considerava-se burro e fraco. Mesmo assim, nunca escondeu seu gosto pelo fumo. Tinha um olho de cada cor, um verde e outro castanho. Gostava de coisas diferentes. Sem dúvidas, Paulo era diferente.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Mídia e os Videogames

Os primórdios da indústria dos games no Brasil em relação à publicidade e o jornalismo nesse segmento.

Os videogames hoje em dia giram um mercado bilionário, com seus consoles e jogos, além dos investimentos em publicidade maciça, em países como o Japão e o EUA, comerciais de lançamentos de games são vinculados juntos ao horário nobre.
No Japão os personagens de Games são ícones de marketing garantido e seus produtos são vendidos em todos os seguimentos, vide o personagem Mario Bros, criado pela empresa Nintendo, desde anos 80 até hoje, é um dos ícones mais populares de todo o mundo.

De olho neste segmento revistas especializadas adentraram neste nicho de mercado, no inicio dos anos 90, algumas empresas brasileiras começaram a comercializar consoles compatíveis com o sistema Nintendo 8 bits e o Sega, ambas empresas eram concorrentes de mercado, quem deteve as plataformas do Nintendo foram as empresas Dynacom, CCE e Gradiente enquanto que a empresa TecToy trouxe o vídeo games Master System.

O comércio dos videogames no Brasil teve uma ascensão comercial vertiginosa, o que abriu vários segmentos no setor, me lembro que a primeira revista a publicar uma matéria sobre o assunto foi uma revista de esportes chamada SEMANA&AÇÃO, esta revista trazia matérias sobre esportes radicais e algumas fotos de mulheres semi-nuas, após o sucesso de venda da revista daquela edição a SEMANA&AÇÃO lançou logo depois a revista Ação Games, chegando a ser publicada na Argentina.

A revista Ação Games, trazia informações sobre jogos, consoles e novidades de feiras de games que naquela época eram realizadas somente no exterior, um dos principais atrativos da revista eram as dicas e macetes de jogos para avanço de telas ou falcatruas, lembrando que naquela época não existia memória embutida nos consoles nem mesmo nos cartuchos, o que dificultava jogos extensos, que eram salvo por meio de password senhas que eram digitadas nas telas de abertura do game, na qual restaurava o jogo na tela em que o jogador havia parado.

Outras revistas foram lançadas naquela época mas baseadas no mesmo foco editorial da Ação Games, a diagramação também foi inovadora naquele contexto, as revistas eram muito coloridas com ilustrações e fotos de jogos, alguma delas traçavam mapas passo-a-passo, por meio de fotografias que facilitavam a vida do jogador que queria solucionar problemas de passagem de tela.

A rede Globo chegou por muito tempo exibir, um horário reservado para a Tec-Toy chamado Master Dicas, cujo apresentador na época o ex-integrante da Banda Polegar e ídolo pop Rafael Ilha, apresentava os jogos do videogame Master, mostrando, os jogos, equipamentos e macetes para os jogos, o programa tinha cerca de "um minuto e meio", mas era sucesso entre as crianças e adolescentes daquela época.

Nos anos 90 no Brasil o "boom" dos games foi o inicio do jornalismo de games, um estilo um pouco diferente, neste contexto o jornalista trabalha em primeira pessoa nos games, dizendo e opinando sobre os jogos pois o narrador ao mesmo tempo é o controlador do personagem ou da plataforma do game, isso era imprescindível para as dicas, e para uma nova profissão, o jogador de videogame ou mesmo agraciar o videogame como esporte e não mera diversão.

Atualmente existem jogadores profissionais que se tornaram celebridades, como por exemplo o jogador "Moon" o adolescente coreano que em 2007, foi o jogador mais bem pago dos campeonatos de videogame e fechou o ano com cerca de 311 mil reais em dinheiro, fora seu salário pago pelos patrocinadores.

Hoje em dia muitas pessoas estudam os videogames como comportamento social e os jogos para poder dar embasamento e técnica a linguagem.O jornal New York Times já chegou a trazer uma matéria sobre o videogame, como uma nova mídia, e seu advento transformador em nossas vidas, e que a cada dia entra mais em nosso cotidiano desde o "minigame tetris" vendido em rodoviarias aos jogos coorporativos usados como treinamento de pessoal.



domingo, 30 de março de 2008

Formando opiniões e cidadãos

O jornalista pode ajudar a formar cidadãos se saber usar o poder que a mídia oferece


A imprensa exerce enorme influência perante a sociedade, tanto que é chamada de "o quarto poder". Sendo assim, o papel do jornalista acaba tomando grandes proporções, já que suas palavras são ouvidas por milhões de pessoas. Pessoas essas que assimilam o que vêem na mídia, e acabam tomando aquilo como verdade, aplicando essa verdade em suas vidas.
Diante desse quadro, o jornalista tem que usar de forma positiva o poder que possui. Cabe a ele, além de informar, abrir os olhos da população para determinados acontecimentos, fazer as pessoas pensarem, questionarem. Não fazer como muitos profissionais e muitas empresas, que usam o grande alcance da mídia para criar fatos, passar verdades que não são reais para atender a seus próprios interesses ou de terceiros. Um fato que gera polêmica até hoje é o debate editado pela Rede Globo entre Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva, candidatos a presidência em 1989. Para muitas pessoas, o debate foi editado de uma forma para favorecer Collor.
A grade de programação da tv aberta é outro a ponto a ser discutido. A grande maioria dos programas (principalmente os do horário nobre) são feitos simplesmente para entreterem o público. Não fazem as pessoas pensarem, não acrescentam nada para suas vidas, não enriquecem suas culturas. Isso gera alienação, gera conformismo. E os bons programas, os educativos e com conteúdo, ficam escondidos na grade das emissoras, em horários absurdos.
É preciso parar de tratar a notícia simplesmente como um produto. Sim, vivemos num sistema capitalista, onde a briga por mais ibope é selvagem. Mas, mesmo assim, não se pode distorcer um fato com a intenção de deixa-lo mais "atraente" para ganhar mais audiência ou leitores. Por exemplo, é comum no jornalismo o famoso "sensacionalismo", pegar um fato trágico e deixa-lo mais trágico ainda, explorar o drama de outra pessoa, transformar uma tragédia em show para garantir uns pontos a mais no IBOPE. Isso aumenta a audiência, mas não é certo, tem que haver um limite, tem que haver bom senso.
O jornalista também ajuda a formar cidadãos. Por isso seu trabalho deve ser feito com a maior imparcialidade e ética possível. Para mostrar a população todos os lados e versões de um fato, abrir seus olhos. Levar até as pessoas algo com conteúdo, para que elas possam aplicar em suas vidas, em seus bairros. Desse modo, o jornalista cumpre seu papel, e o poder da mídia é usado da maneira correta.