sexta-feira, 21 de março de 2008

Web, Jornalismo e Quadrinhos

Trecho de Gorazde de Joe Sacco

Nomes como o do jornalista Joe Sacco, autor de entre outros Uma História de Sarajevo e Gorazde, e Art Spiegelman autor de Maus, são algumas referências no que se diz a respeito de “jornalismo em quadrinhos”. Apesar de serem obras mais subjetivas se aproximam muito de um livro-reportagem tradicional. Mas quando se fala em web, jornalismo e quadrinhos, onde se encontra o trio?

Não, não se encontra. Pela complexidade que um trabalho desse porte envolve, uma notícia ou reportagem em forma de história em quadrinhos, talvez seja impossível publicar trabalhos com a qualidade gráfica e textual dos exemplos acima. O mundo virtual exige rapidez. Esse fator faz com que conteúdos assim para web não sejam desenvolvidos ou ao menos imaginados. No entanto experiências gráficas simples devem ser tentadas. O site NonaArte oferece quadrinhos como Justiça do Índio e Como mudar o mundo que são praticamente artigos desenhados. Ainda há no site uma sessão de quadrinhos educacionais de teor histórico. Exemplo de que é possível publicar formas típicas do jornal impresso em quadrinhos e ainda na Web.

Enquanto o jornalismo on-line fazer mais do mesmo, não atrairá novos públicos, como os mais jovens, em um lugar como a internet onde parte considerável desse público se encontra. Dessa maneira a profissão se limitará a apenas ao mesmo público, aos mesmos formatos, como as notícias instantâneas e os blogs. Não que esses devam deixar de existir. Porém atrair a atenção com novas propostas de quem realmente precisa ser informado e educado é fundamental. O importante é tentar, por isso mãos à obra.

quarta-feira, 19 de março de 2008

“Seja o primeiro, mas seja correto”

A pressa para publicar uma notícia antes da concorrência pode se tornar uma armadilha

Em tempos internet banda larga e conversas em tempo real, a velocidade na transmissão das informações é praticamente simultânea aos fatos. Entretanto, há um preço por trás de tanta rapidez na publicação das notícias. A falta de tempo hábil para checar as informações que pode levar à publicação de notícias equivocadas e, até mesmo, falsas. Um erro que hoje é justificado pela vida corrida, dead-line, concorrência de várias mídias; mas isso não é exclusividade do webjornalismo. Mesmo os grandes jornais do século passado já sofriam com esse problema, como mostra o texto do site Observatório da Imprensa. [leia mais sobre equívocos jornalísticos aqui.]

Por outro lado, há os que defendem esse tipo de jornalismo dinâmico, especialmente o Jornalismo On-line, e destacam mais virtudes que falhas nessa corrida contra o tempo e a concorrência. Louis Wiley, ex-gerente do New York Times se
defende, e diz que (...) “Se o jornal tivesse que esperar até confirmar todos os detalhes, talvez o mundo ainda ignorasse acontecimentos históricos de séculos passados, sobre os quais os historiadores ainda não concordam totalmente”.

O sistema Capitalista, que busca o lucro a todo custo, pode até ter sua parcela de culpa nesse problema, mas não é tudo. Ao tratarmos o assunto por esta ótica, qualquer empresa que se preze, (nesse caso, os Jornais que deixam de ser prestadores de serviço para se tornar indústrias de informação) zela pelo bem-estar de seus clientes (leitores). Mas a busca desenfreada para ser o primeiro a noticiar o fato, acaba se tornando um obstáculo na excelência dos serviços. Matérias mal-elaboradas, com informações imprecisas e incompletas povoam as capas de jornais e páginas de portais on-line. É um desserviço.

Como diz Eugene Goodwin, professor de jornalismo da Universidade da Pensilvânia em seu livro Procura-se Ética no Jornalismo: “Seja o primeiro, mas seja correto”.

A Credibilidade dos Blogs e o Jornalístico

A internet pode significar um alargamento das possibilidades de atuação para os profissionais da imprensa

A internet alterou profundamente a forma de fazer jornalismo. A possibilidade de captar, armazenar, compartilhar e distribuir informações, como nos produtos do Google e do Youtube, começa a configurar e constituir um veículo de comunicação novo, que proporciona o acesso a diferentes formatos num mesmo meio (seja texto, vídeo ou áudio).

O surgimento da internet permitiu um nível de interatividade até então desconhecido em outros meios e abriu espaço também para que cada navegante possa ser um emissor de informações. Mas como medir a credibilidade do jornalismo num meio que todos podem ser emissores de informação? Um blog tem a possibilidade de influenciar na produção jornalística?

Nessa questão, não se trata mais de alterar apenas as formas de apresentação das informações e a velocidade de divulgação. A sociedade que se constitui em rede e a Internet provocam mudanças estruturais antes impensáveis, provocando uma verdadeira revolução no processo de organização social, sendo geradoras do que alguns autores chamam de sociedade da informação.
Como relacionado no texto Blogs fazem Jornalismo?, de Marinilda Carvalho, publicado no Observatório da Imprensa, precisa-se primeiramente observar “de que blog estamos falando”.

No Brasil temos blogs de jornalistas famosos como o jornalista esportivo Juca Kfouri, do Marcelo Tas com variedade e entretenimento e do Ricardo Noblat , por exemplo, que possibilita, além do internauta obter informações por meio do rigor jornalístico, acessar textos de outros autores sobre o tema que está sendo tratado ali.

No entanto, a maioria dosprofissionais de comunicação da área se mostra descontente com a possibilidade de cada navegante ser emissor de informação. No livro "A arte de fazer um jornal diário", do próprio Noblat, onde se reflete sobre a crise do jornalismo impresso. e numa perspectiva que foge à mera questão tecnológica, o autor chama a atenção para a importância de, num contexto como este, "fazer jornalismo". Entre outros responsáveis pela crise, inclui os próprios profissionais, incapazes de "surpreender" o leitor.

É o que diz também o jornalista canadense David Akin, comentarista de tecnologia. Para ele a discussão é um tanto quanto entediante, pois para se enfrentar o desafio de fazer jornalismo no atual contexto, um dos caminhos é o de se pensar a organização do chamado jornalismo digital, ou online, ou ainda webjornalismo.

Em seu blog pessoal defende que blogs são apenas um formato, e o jornalismo um processo ou um sistema, e diz também que os jornalistas não estão encarando a questão com honestidade. Tudo se resume a querer o controle do jornalismo: "Claro, blogs podem ser parte do sistema que chamamos jornalismo e, obviamente, nem todos os blogs são parte deste sistema, pois nem todos os blogueiros querem ser jornalistas", diz ele.

Os investimentos neste novo segmento da atividade jornalística têm sido grandes desde a segunda metade da década de 1990. No Brasil, desde a entrada na rede da Agência Estado, do grupo Estado de S. Paulo, e do Jornal do Brasil, em 1995, centenas de sites jornalísticos foram criados.

Independente dos blog possuírem rigor jornalístico nas questões relacionadas a apuração dos fatos a internet estimulou a idéia de fontes de notícia. Mesmo que um blog não tenha objetivo jornalístico, ele pode ser um meio de informação para apurações jornalísticas que mostrem o outro lado do fato. Como é o caso soldado que começou a relatar a Guerra do Iraque em seu blog e passou a servir de fonte de informação para os jornalistas que cobriam o combate.

Entender, afinal, o que é um blog no sentido tradicional, ou seja, páginas na internet de blogueiros solitários – que, é claro, não ficam apenas procurando erro em texto de jornal, mas que estudam políticas, doutrinas, documentos, leis e o próprio discurso da mídia, para analisar e levar a seus leitores - é fundamental para entender como o jornalismo pode se utilizar de informações e para constituir a enfim chamada sociedade do conhecimento. Os blogueiros não fazem jornalismo, é verdade. Mas fazem outro trabalho importante para a articulação do mundo atual: trabalham pela cidadania.

Você, repórter

Diante de um fato inusitado, será que todos são jornalistas?

A internet é uma grande aliada na divulgação do material que você produzir ou captar. Com uma câmera ou um celular na mão, fica fácil publicar imagens em blogs, flogs ou vlogs. E se quiser escrever, opinar, reclamar, o que for, colocar seu texto em um blog, um fórum, uma comunidade. E quando surgir uma oportunidade de gravar uma entrevista ou palestra, compartilhar o que foi dito com outras pessoas, é facilitado quando distribuirmos o áudio por meio de um podcast. Participar de um site wiki, que permite a qualquer pessoa editar o conteúdo. Há diversas formas de interagir. Você pode, agora você é o editor, inclusive tem-se possibilidade de criar um destes espaços online de comunicação e administrá-lo.

Existe um grande campo de atuação, pode ser o repórter da vez. É cada vez maior o número de páginas de notícias que possibilitam a seus usuários a chance de publicar seus “furos” de reportagem. A cada dia o jornalismo aumenta sua capacidade de ser massivo e interativo ao mesmo tempo. Fatos que seus antepassados não possibilitavam. Como o telefone, por exemplo, é interativo porém não massivo, o jornal impresso é massivo não interativo. Bem esses conceitos são passiveis de mudanças, as mesmas já estão a caminho.

O jornalismo cidadão (como é o nome correto dessa forma noticiosa), já entrou para nosso cotidiano, mesmo que a gente não saiba que ele leva esse nome. Ele fica bem visível quando há um fato de repercussão internacional, como foram os atentados a bomba no metrô e em um ônibus em Londres, em julho de 2005. Todos os veículos tradicionais – TV, rádio, jornais, revistas – mostraram o material produzido pelas testemunhas, pessoas que não são jornalistas e produziram notícia naquele momento.

De uma forma muito simplificada, pode-se dizer que você se transforma em um cidadão jornalista quando toma a iniciativa de divulgar uma informação. Tudo pode virar notícia: de reunião com amigos a enchente. Sempre haverá um público interessado no que você produzir, mesmo que seja um número reduzido de pessoas.

A interatividade sem dúvida é marca registrada nas navegações na internet. Por exemplo, Howard French, do New York Times , chama atenção para o amplo público que consegue atingir o maior jornal online da Coréia do Sul, um dos países em que a população tem mais acesso à internet – 70% dos lares têm conexão de banda larga. O sítio OhmyNews (o nome vem da exclamação inglesa "Oh my god!") chega a ter índices de 14 milhões de visitantes diários num país com 40 milhões de habitantes. Ele conta com 41 funcionários que produzem cerca de 20% das notícias. O restante é enviado pelo público. Os colaboradores recebem um pequeno pagamento de acordo com o destaque que recebe sua notícia. Reportagens mais delicadas são checadas.

Tv digital bom sinal

HDTV: a nova coqueluche da sociedade e isso é só o começo

Com a chegada da TV digital, muitas pessoas ficam em duvida quanto ao “sinal” que virá dela. A TV digital para o telespectador soa como algo fora do convencional, e por isso muitas pessoas ainda tem duvidas sobre a chegada da TV digital. A imagem digital é associada à imagem que vemos no DVD, que são superiores aos videocassetes. O dvd quando chegou ao consumo brasileiro melhorou a imagem vista por todos na telinha.

Hoje em dia a transmissão convencional traz uma resolução média de 500 linhas, com a tv digital em alta definição essa transmissão aumenta mais de 100% passando para uma média de 1080 linhas.

A única preocupação do brasileiro é a compra do decodificador chamado de set top box, utilizado para captar canais da tv aberta digital, assim chamada. As produtoras e emissoras de TV, ficam mais preocupadas por exemplo com a maquiagem de um ator, ou até checar a falta foi mesmo dentro da área já que a tv digital permitirá ter zoom. Segundo alexandre Hashimoto, especialista em tecnologia digital, "A tv digital vai beneficiar a dinâmica dos eventos em ambientes reais e o marketing neste mercado vai crescer".

Web: atualizações a cada minuto

Relógios Moles, de Salvador Dali (1931)
Museu de Arte de Nova York

Vários leitores procuram à internet na expectativa de encontrar notícias “fresquinhas”, de ultima hora, o que eles não conseguem encontrar no jornalismo impresso. O próprio termo on-line nos sugere algo imediato, podemos encontrar sites com um grande número de notícias atualizadas, como o Lancenet e o Terra.

O Lancenet, portal do jornal esportivo Lance!, está trabalhando com um projeto em que os leitores encaminham o próprio material (matérias, fotos, vídeos), o
Prolance! e caso este material venha a ser utilizado o Lance! Irá remunerar o leitor que postou o material.

O desafio de se manter uma página atualizada cai sobre a cabeça dos jovens webjornalistas com um tabu. Isto não é tarefa fácil, para se manter uma pagina na web com notícias constantemente atualizadas, é necessário contar com notícias provenientes das agências de notícias e contar com uma redação que produza em quantidade e qualidade.

Joelmir Beting polemiza credibilidade jornalística

Beting protagonizou Campanha do Bradesco em 2003
Ao aceitar participar de uma campanha publicitária do banco Bradesco em 2003, o conceituado jornalista econômico, Joelmir Beting, teve sua coluna diária suspensa pelos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, que consideraram a prática incompatível com o exercício da profissão. O fato levantou uma polêmica entre o meio: é ético utilizar a credibilidade proporcionada pela figura de um jornalista para avalizar propagandas publicitárias?
Em declaração à revista Veja, Beting afirma que se a propaganda, o produto e a empresa são nobres, não há risco de manchar a credibilidade do jornalista. Em seu artigo Posso Falar?, ele lembra que os anúncios é que pagam os salários dos jornalistas. “Se o jornalismo se envergonha da publicidade – que trate de sobreviver sem ela”, provoca. Vários jornalistas se manifestaram, defendendo ou condenando a posição do colega. Segundo Luiz Antônio Magalhães, do Observatório da Imprensa, o jornalista “poderia ter anunciado, ainda com alguma dignidade, que estava se aposentando do ofício de jornalista e passaria a se dedicar ao de palestrante, empresário de comunicação, marqueteiro, comunicólogo ou qualquer outro de sua escolha." Para Leila Cordeiro, que o conheceu pessoalmente, Beting deve ter pesado as conseqüências do seu ‘atrevimento’. “Mais uma vez Joelmir inovou e mostrou que é independente, nem que para isso tenha que enfrentar uma verdadeira execução profissional cheia de preconceitos e patrulhamentos corporativistas", completa.
Contra ou a favor, o episódio permite uma reflexão muito rica sobre os vínculos econômicos entre a isenção da informação e dos interesses das empresas de comunicação. Sabe-se que a isenção jornalística é uma lenda, mas até que ponto a credibilidade do jornalista influencia a opinião pública? É possível separar os papéis sociais, que delimitam o jornalista e o ‘garoto-propaganda’? Mas isso já é pauta para uma outra matéria...